"Querida, você tem um coração na garganta"
Minha avó

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Malabarismos do cotidiano

O TROCO - Pouco sabia dele, um menino sem rosto ou nome. Alguém apenas notado quando sob o cheiro de medo da moça a segurar com manha sua bolsa. E eu, de bolsos vazios, me demorei na frente do menino, a procura de um rosto ou de um nome. Percebi que ele também me percebeu, pois que se aproximou ainda mais. O rapaz me encarou insondável, até que ameaçou qualquer palavra árida. Confesso que acabei por sentir aquele medo da moça ante seus olhos insondáveis, quando ele, por fim, arranhou superior: "Escuta, viu, não tenho trocado hoje. Fica pra próxima". Senti-me de rua, pequena demais ante aquele menino sobranceiro e vitorioso pela inversão dos papéis. Nada disse, apenas abaixei minha cabeça e continuei meu caminho menor sob o olhar de um menino vingado.

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