"Querida, você tem um coração na garganta"
Minha avó

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Uma ação que vale mais do que 2683 caracteres

Aproveito para publicar no meu blog o comentário de meu marido que não foi publicado no Blog do Hélio de La Peña sobre Danilo Gentili, sua piadinha infeliz e sua explicação mais infeliz ainda sobre a piada (caso citado pela revista Fórum durante entrevista com Kabengele Munanga - dica da Ana Rüsche)
. Aliás, é de se pensar porque Hélio de La Peña não publicou seu comentário:

"O preconceito não está nos olhos de quem vê e sim nas palavras, as palavras não são vistas são compreendidas,o não entendimento é inabilidade para com a lingua, incapacidade intelectual , ou demência.O discurso de justificativa e ou explicação do Danilo Gentili tem a vaga e descabida tentativa de legitimar a normalidade de chamar negros de macacos.Palavra é coisa séria.É necessário responsabilidade para com a palavra,muitos desapareceram, ou se imortalizaram por ela, é necessário respeito pela história (que por sinal nos concedeu grandes privilégios como 400 anos escravidão, (nosso trabalho não foi remunerado durante um breve espaço de tempo...) miséria,abandono,indiferença, sub emprego,cotas..enfim.como podem ver no quesito concessões estamos bem também.Não queremos o que nos é dado, queremos sim o que nos foi tirado.Respeito é um dos quesitos.Esse tipo de identidade e de relacionamento não precisamos. Deixo de respeitar o Danilo Gentili , sua produção artística já não me interessa mais.Imagino que se os 65% da população (considerada como macacos) deixar de assistir ao CQC será também um grande Mico."

P.S.: em um dos comentarios, alguem afirmara que o preconceito estava nos olhos de quem via

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Clarice Lispector, eu e os outros

Outra raspadinha (ou será plágio?): sempre que posso, pesquiso na internet publicações ou trabalhos relacionados à Clarice Lispector jornalista. Todos que leem este blog, e que por conseguinte me conhecem, sabem que estudo há mais de cinco anos as entrevistas realizadas por Clarice Lispector para as revistas Manchete e Fatos e Fotos. Hoje, descobri o artigo: "Diálogos possíveis com Clarice Lispector: um estudo do gênero entrevista na Revista Manchete", realizado por Michelle Moreira Braz dos Santos sob orientação de Marcelo Magalhães Bulhões para o XIV Congresso de ciências da Comunicação na região sudeste - Rio de Janeiro - 7 a 9 de maio de 2009. Já o título me chamou a atenção por ser muito semelhante ao da minha dissertação de mestrado: "Diálogos possíveis com Clarice Lispector: as entrevistas de uma escritora jornalista". Claro, a considerar que "Diálogos possíveis com Clarice Lispector" era o nome da coluna assinada pela escritora na Revista Manchete, a coincidência é também possível. Porém ao ler o texto notei incríveis semelhanças com minha dissertação, desde a fundamentação teórica até mesmo à construção de parágrafos inteiros. Comparo aqui uma passagem da minha dissertação a uma passagem do artigo para provar que ainda não enlouqueci:


"Em resposta à jornalista Isa Cambará, da revista Veja, sobre a necessidade de se publicar De Corpo Inteiro , uma coletânea com algumas de suas entrevistas realizadas para a revista Manchete, Clarice Lispector revela:

'Eu me expus nessas entrevistas e consegui assim captar a confiança de meus entrevistados a ponto de eles próprios se exporem. As entrevistas são interessantes porque revelam o inesperado das personalidades entrevistadas. Há muita conversa e não as clássicas perguntas.'"
[...] minha dissertação


"Em resposta à jornalista Isa Cambará, da revista Veja, sobre o motivo de publicar De Corpo Inteiro , livro que reúne entrevistas da revista Manchete, Clarice Lispector revelou:

'Eu me expus nessas entrevistas e consegui assim captar a confiança de meus entrevistados a ponto de eles próprios se exporem. As entrevistas são interessantes porque revelam o inesperado das personalidades entrevistadas. Há muita conversa e não as clássicas perguntas.' " [...](artigo)


Detalhe: minha dissertação sequer está na bibliografia do trabalho. Deixei os links no texto, para quem quiser comparar um com outro (sobretudo com o início de minha dissertação)
Provocação: raspadinha ou Ctrl C + Ctrl V?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

João do Rio e Laclos

Outra raspadinha: "a técnica epistolar era pouco usada nas literaturas do tempo [...] depois de ter tido o seu grande momento no século XVIII e algum relevo no seguinte" é o que afirma Antônio Cândido na apresentação do livro A correspondência de uma estação de cura. O livro é justamente um romance epistolar escrito por João do Rio após sua estada em 1917 em Poços de Caldas, que, no início do século passado,era a mais famosa estância brasileira, visitada por artistas, políticos, enfim, pela elite da época. Narrado inteiramente por cartas escritas por visitantes da cidade - em sua maioria, hóspedes do Grande Hotel - que não foram enviadas ao seu destinatário (o que me lembra Paul Celan, e a tal da mensagem na garrafa enviada ao mar), o livro desvela-se interessante por seu caráter inovador. Opa, disse inovador? Como assim, isto é uma raspadinha, Vera! Ao que me retrato aqui: é de alguma forma inovador, sobretudo pelo fato de as cartas não terem chegado ao seu destino final, porém, sua leitura, leve e gostosa (saborosamente inatual, como bem o disse Antônio Cândido) me remeteu de imediato ao Ligações Pegrigosas de Laclos, principalmente pelo que o livro tem de mais especial: um mesmo fato narrado sob diferentes pontos de vista, no caso, diferentes vozes incritas em missivas (e, com efeito, a cada epístola, uma voz diversa), claro, no romance de João do Rio (antes de tudo, grande repórter das ruas do Rio de Janeiro da Belle Époque) este artifício é mais acentuado. Outra semelhança: a Maria de Albuquerque e Olivério Pereira Gomes em muito me lembraram Marquise de Merteuile e o Visconde de Valmont de Ligações PerigosasPara quem já leu ou vai ler o romance de João do Rio fica aqui minha pequena provocação: seriam também Maria de Albuquerque e Olivério ex-amantes? E pras minhas raspadinhas, outra provocação em uma pergunta retórica: não pode um palimpsesto ser inovador?