Os diálogos sempre me intrigaram (do Livro de Jó às crônicas do Luís Fernando Veríssimo) Admiro aqueles que os dominam. Aliás, sempre acreditei que uma personagem, e, por conseguinte, o texto, ganha muito mais cores quando passa a ser delineada por suas falas em vez de descrita em longos parágrafos, na maioria, maçantes e limitantes (até rimou). Certamente os diálogos erigem o almejado texto polifônico.
Por outro lado, tanto em Estamos todos bem quanto em Telefone sem fio, minhas personagens são descritas não muito pelo que dizem, mas, sobretudo, pelo que não conseguem dizer, aquela frase presa na garganta, no caso de Estamos todos bem, ou aquele sarcasmo diluído em um suspiro arrastado, no caso de Telefone sem fio. Meus diálogos são costurados e remendados pelo silêncio, este sim, sua causa secreta.
[do gr. palímpsestos, 'raspado novamente', pelo lat. palimpsestu.]. S.m. 1. Antigo material de escrita, principalmente o pergaminho, usado, em razão de sua escassez ou alto preço, duas ou três vezes[duplo palimpsesto], mediante raspagem do texto anterior
"Querida, você tem um coração na garganta"
Minha avó
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Homem Comum
"Eram apenas ossos, ossos dentro de uma caixa, mas os ossos deles eram dele, e ele aproximou-se dos ossos o máximo que pôde, como se a proximidade pudesse estabelecer um vínculo com eles e atenuar o isolamento causado pela perda do futuro e religá-lo a tudo o que havia ido embora. (..) Os ossos eram o único consolo que restava para alguém que não acreditava na vida após a morte e sabia, sem nenhuma dúvida, que Deus era uma ficção, e que aquela vida era a única que ele teria."
Philip Roth (para quem, no final, não serão apenas ossos) - Homem Comum; tradução: Paulo Henrique Britto - São Paulo: Companhia das Letras, 2007
Um dos melhores escritores contemporâneos.
Por falar em escritores contemporâneos, aviso aos navegantes à vela, a literatura segue viva, vivíssima: Cronópios, o melhor site de literatura do Brasil
Philip Roth (para quem, no final, não serão apenas ossos) - Homem Comum; tradução: Paulo Henrique Britto - São Paulo: Companhia das Letras, 2007
Um dos melhores escritores contemporâneos.
Por falar em escritores contemporâneos, aviso aos navegantes à vela, a literatura segue viva, vivíssima: Cronópios, o melhor site de literatura do Brasil
terça-feira, 30 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Teatro 1 1/2
O grupo Teatro Para Alguém em parceria com o Cronopios, criou o projeto Teatro 1 1/2. O projeto tem como objetivo apresentar em apenas um minuto e meio textos adaptados e encenados via Web. Os textos estão sendo selecionados entre os dos autores cronopianos. A primeira peça apresentada ao vivo dia 12 de março você confere aqui. Vale a pena, belo texto do William Lial e interpretação incrível de Eduardo Waddington. Na próxima sexta será encenado o texto de Andréa del Fuego, Um milhão de vezes. No dia 26 um texto meu: A sete palmos, que na realidade é um trecho do meu livro Telefone sem fio (pra quem me lê aqui, sabe de que livro se trata!). E no dia 9 de abril (a data está errada no Cronópios), será a vez de Silas Corrêa Leite, que terá o texto A Nave encenado. Mais informações aqui
quarta-feira, 10 de março de 2010
Silas Corrêa Leite
Sempre acreditei que o leitor é tão importante quanto o escritor, de tal forma que sem o primeiro a obra literária inexiste. Acho interessante que meu livro Estamos Todos Bem vem ganhando a forma de algumacoisaliterária ainda sem ser publicado, justamente em decorência das diferentes leituras que vem recebendo. Pois um grande poeta escreveu sobre meu livro uma das frases que mais me tocaram neste ano: "ESTAMOS TODOS BEM invocam os mistérios de uma vida exposta, angústias de uma mulher moderna, desesperanças, vontades íntimas, a descoberta de sentimentos, arrebentações, seduções, triângulos ocasionais, feito um inventário de um contemporâneo mundo-mulher, em que a feminilidade aqui e ali se desarranja, como ora se recompõe, onde há conflitos de interesses, a própria cruz da personagem principal que é arrumar gavetas (interiores) dos outros, peça por peça, como se quisesse, por assim dizer e por si mesma, acertar suas contas pessoais com a vida, com as etiquetas sociais, as regras e convenções que veste, despe, ora significando alguma coisa, ou muito pelo contrário, ora não tem profundidade, mas pontua a invocação de prisma, dá uma metáfora à vida amarrada de uma mulher moderna caindo em si e às vezes se perdendo de si." Somente um poeta da envergadura de Silas Corrêa Leite pra ter uma sacada dessas! Este trecho pertence à linda resenha que ele escreveu sobre o meu ineditável e inédito Estamos todos bem. Leia mais aqui
E aqui sua última colaboração no Cronópios, site para o qual escreve regularmente. A propósito, o nome H2Horas é criação dele.
E aqui uma crônica muito bonita que ele acabou de publicar. Por ela descobri que Silas não colabora em apenas 20 sites mas em quase QUINHENTOS sites!
E aqui sua última colaboração no Cronópios, site para o qual escreve regularmente. A propósito, o nome H2Horas é criação dele.
E aqui uma crônica muito bonita que ele acabou de publicar. Por ela descobri que Silas não colabora em apenas 20 sites mas em quase QUINHENTOS sites!
domingo, 14 de fevereiro de 2010
H2Horas
Aqui vai minha dica de carnaval - lindo filme do Pipol (Cronópios) sobre o tempo: H2Horas. Um encontro entre Calíope e Clio, poesia e imagem, música e movimento, e mais, muito mais. Um honra fazer parte do filme, ver meu texto em meio a textos tão bons, ouvir minhas palavras na voz de outrem e ainda embalada por dois músicos incríveis!
Assista aqui
Assista aqui
Axioma
Não enxergar o outro é também ignorar nosso mais obscuro e fascinante pedaço.
Post Scripitum
1 - Axioma explicitamente baseado na postagem da minha querida prima Luciana
2 - Detesto escrever na primeira pessoa do plural, soa tão "auto-ajuda"! Mas, por se tratar de um "axioma a la Balzac", não há outro jeito. Espero não ter transformado meu axioma em uma daquelas fórmulas chatas (achatadas também, diga-se) e medíocres de auto-ajuda que assolam a Internet hoje, a nos reduzirem em um EU monolítico, bidimensional e raso, demasiadamente raso. Fórmulas que, por sinal, ignoram justamente o Outro que habita em nós.
3 - E viva as diferenças!
Post Scripitum
1 - Axioma explicitamente baseado na postagem da minha querida prima Luciana
2 - Detesto escrever na primeira pessoa do plural, soa tão "auto-ajuda"! Mas, por se tratar de um "axioma a la Balzac", não há outro jeito. Espero não ter transformado meu axioma em uma daquelas fórmulas chatas (achatadas também, diga-se) e medíocres de auto-ajuda que assolam a Internet hoje, a nos reduzirem em um EU monolítico, bidimensional e raso, demasiadamente raso. Fórmulas que, por sinal, ignoram justamente o Outro que habita em nós.
3 - E viva as diferenças!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
2010 - um ano par
Amigos, final de ano apertado! Aproveito minha folga no Doutorado pra escrever Telefone Sem Fio. Sim voltei a ele, mudei tudo e mais um pouco. A la Heráclito. Mas a idéia ainda é a mesma.
De resto, feliz 2010!
De resto, feliz 2010!
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