Era pra ser ontem, aniversário seu, felicidade minha, mas somente hoje encontrei palavras acertadas e bonitas como ela, a quase tocarem o quanto e tanto de amor meu. Breves poemas e haikais, pois que do que não está escrito, sua infinitude, minha mãe:
Manhã de frio --
Com o agasalho, visto
Saudades de minha mãe.
Paulo Franchetti
A única rosa
Todas as rosas são a mesma rosa,
Amor, a única rosa.
E tudo está contido nela,
Breve imagem do mundo,
Amor! a única rosa
Manuel Bandeira
Amor bastante
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
Paulo Leminski
[do gr. palímpsestos, 'raspado novamente', pelo lat. palimpsestu.]. S.m. 1. Antigo material de escrita, principalmente o pergaminho, usado, em razão de sua escassez ou alto preço, duas ou três vezes[duplo palimpsesto], mediante raspagem do texto anterior
"Querida, você tem um coração na garganta"
Minha avó
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Mudei pela terceira vez
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
"Eu tenho horror ao real" *
*Rubens Francisco Lucchetti em entrevista à encantadora Jerusa Pires Ferreira (Rubens Francisco Lucchetti - o homem de 1000 livros. São Paulo: COM-ARTE, 2008)
Ocorre que escolhi esta frase para iniciar um breve ensaio sobre o encontro entre Jorge Melícias, Ana Paula Maia e Fernando Segolin no Seminário Literatura e Violência. No discurso de Melícias sobre o grotesco e posteriormente na fala de Ana Paula Maia, um aspecto curioso me chamou a atenção: a evocação do tema O Estranho do Freud. Prefiro a palavra no sentido original: unheimlich, pois amplia as possibilidades de análise. A princípio se falou do grotesco, entretanto, chegar ao conceito do horror foi inevitável.
Freud já analisou o tema do estranho, unheimlich, inquestionavelmente associado ao que é assustador, que provoca medo e horror, no texto Das Unheimliche (O Estranho). Neste, em um primeiro momento, é realizado um estudo etimológico da palavra alemã, porquanto a complexidade de sua estrutura, uma vez que abriga o vocábulo “casa” (Heim) em sua raiz. Por intermédio de vários e diferentes significados, o autor nos mostra que em algum momento a palavra unheimlich, estranho, tem o mesmo sentido que seu contrário, ou seja, heimlich, familiar. Por conseguinte, conclui, à luz da sentença de Schelling, “unheimlich é o nome de tudo que deveria ter permanecido ... secreto e oculto mas veio à luz”, que unheimlich (o estranho) é de um modo ou de outro uma subespécie de heimlich (familiar).
Oscar Cesarotto explora o estranho (unheimlich) como aquilo que, familiar e íntimo, estava apagado e é reativado por um fato extrínseco, para ser projetado como alheio. Segundo ele, o efeito concomitante é “a sensação sinistra que se produz ao se esfacelar a realidade, porque nessa hora, qualquer resguardo revela-se insuficiente.”
Ao que me remeto ao interessante comentário tecido por Stephen Dedalus, o artista jovem de James Joyce, sobre o terror, um dos sentimentos catárticos da Arte Poética de Aristóteles: “o terror é o sentimento que detém o espírito na presença de seja lá o que for que seja grave e constante no sofrimento humano e o liga à sua causa secreta.” Daí concluo que o horror ao real de Lucchetti é também uma catarse.
Posto isto, retomo uma das questões levantadas pela platéia sobre a diferença entre a violência dita "banalizada" e a violência discutida e presente nos textos dos dois escritores. Conheço o trabalho de Ana Paula Maia, do qual gosto muito, e posso afirmar seguramente que diferentemente da violência (não diria "banalizada") artificial, estereotipada, a violência presente nos textos da escritora suscita o terror catártico descrito por Dedalus, e me liga a minha causa secreta, ao que me é tão estranho e ao mesmo tempo tão familiar.
PS: 1) Pra variar, fiquei vermelho-escuro quando Ana Paula Maia falou do meu e-mail, mas não deixei de sorrir, e me acusei: fui eu a danada!
2) creio que unheimlich é um adjetivo, por isso mantive em letra minúscula, se estiver errada sintam-se à vontade em me corrigir
Ocorre que escolhi esta frase para iniciar um breve ensaio sobre o encontro entre Jorge Melícias, Ana Paula Maia e Fernando Segolin no Seminário Literatura e Violência. No discurso de Melícias sobre o grotesco e posteriormente na fala de Ana Paula Maia, um aspecto curioso me chamou a atenção: a evocação do tema O Estranho do Freud. Prefiro a palavra no sentido original: unheimlich, pois amplia as possibilidades de análise. A princípio se falou do grotesco, entretanto, chegar ao conceito do horror foi inevitável.
Freud já analisou o tema do estranho, unheimlich, inquestionavelmente associado ao que é assustador, que provoca medo e horror, no texto Das Unheimliche (O Estranho). Neste, em um primeiro momento, é realizado um estudo etimológico da palavra alemã, porquanto a complexidade de sua estrutura, uma vez que abriga o vocábulo “casa” (Heim) em sua raiz. Por intermédio de vários e diferentes significados, o autor nos mostra que em algum momento a palavra unheimlich, estranho, tem o mesmo sentido que seu contrário, ou seja, heimlich, familiar. Por conseguinte, conclui, à luz da sentença de Schelling, “unheimlich é o nome de tudo que deveria ter permanecido ... secreto e oculto mas veio à luz”, que unheimlich (o estranho) é de um modo ou de outro uma subespécie de heimlich (familiar).
Oscar Cesarotto explora o estranho (unheimlich) como aquilo que, familiar e íntimo, estava apagado e é reativado por um fato extrínseco, para ser projetado como alheio. Segundo ele, o efeito concomitante é “a sensação sinistra que se produz ao se esfacelar a realidade, porque nessa hora, qualquer resguardo revela-se insuficiente.”
Ao que me remeto ao interessante comentário tecido por Stephen Dedalus, o artista jovem de James Joyce, sobre o terror, um dos sentimentos catárticos da Arte Poética de Aristóteles: “o terror é o sentimento que detém o espírito na presença de seja lá o que for que seja grave e constante no sofrimento humano e o liga à sua causa secreta.” Daí concluo que o horror ao real de Lucchetti é também uma catarse.
Posto isto, retomo uma das questões levantadas pela platéia sobre a diferença entre a violência dita "banalizada" e a violência discutida e presente nos textos dos dois escritores. Conheço o trabalho de Ana Paula Maia, do qual gosto muito, e posso afirmar seguramente que diferentemente da violência (não diria "banalizada") artificial, estereotipada, a violência presente nos textos da escritora suscita o terror catártico descrito por Dedalus, e me liga a minha causa secreta, ao que me é tão estranho e ao mesmo tempo tão familiar.
PS: 1) Pra variar, fiquei vermelho-escuro quando Ana Paula Maia falou do meu e-mail, mas não deixei de sorrir, e me acusei: fui eu a danada!
2) creio que unheimlich é um adjetivo, por isso mantive em letra minúscula, se estiver errada sintam-se à vontade em me corrigir
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Eita Deus!!!
Hoje ocorre a audiencia publica na camara municipal de sao paulo as 10 horas.
PS O teclado nao esta acentuado corretamente
Mais detalhes no blog Eu sei o que voce fez no mandato passado
PS O teclado nao esta acentuado corretamente
Mais detalhes no blog Eu sei o que voce fez no mandato passado
domingo, 2 de novembro de 2008
Agora no presente
Vivo informa - este número de telefone não existe!
Telefone sem fio - última chamada. terminarei no verão que agora naum vai dar não. Preciso entregar o primeiro capítulo da tese até dezembro (pelo menos trinta páginas). Mas a história é mais ou menos essa, se passa durante uma viagem de carro, destino a um enterro. Durante a viagem, Alma passará sua vida a limpo, no caderninho de anotações, com várias canetinhas bic coloridas. Quando escreve, sempre se refere a si mesma na terceira pessoa, e a cada vez que se lembra de um mesmo fato, ela o modifica. Enfim, um ensaio sobre a verossimilhança, para quem gosta de termos mais chatos!
PS: não sei se fiz bem em contar a idéia antes de terminar o livro, mas enfim, minha idéia não é só isso, e pelo que vi no Cronópios,(o que, a propósito, lembra-me as minhas raspadinhas) a questão do plágio é um pouquinho mais complicada. Por via das dúvidas, registrei meu blog também!
Telefone sem fio - última chamada. terminarei no verão que agora naum vai dar não. Preciso entregar o primeiro capítulo da tese até dezembro (pelo menos trinta páginas). Mas a história é mais ou menos essa, se passa durante uma viagem de carro, destino a um enterro. Durante a viagem, Alma passará sua vida a limpo, no caderninho de anotações, com várias canetinhas bic coloridas. Quando escreve, sempre se refere a si mesma na terceira pessoa, e a cada vez que se lembra de um mesmo fato, ela o modifica. Enfim, um ensaio sobre a verossimilhança, para quem gosta de termos mais chatos!
PS: não sei se fiz bem em contar a idéia antes de terminar o livro, mas enfim, minha idéia não é só isso, e pelo que vi no Cronópios,(o que, a propósito, lembra-me as minhas raspadinhas) a questão do plágio é um pouquinho mais complicada. Por via das dúvidas, registrei meu blog também!
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Do Manual de Redação
"Quando a coisa era feia, Graciliano Ramos alisava o cabelo e xingava: 'Cavalo!'. O temido e admirado revisor do Correio da Manhã odiava palavras e expressões empoladas perdidas no meio do texto, e rugia para o autor do outro lado da redação: 'Outrossim é a puta que o pariu!'[...]" Cristiane Costa - Pena de Aluguel
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Axiomas - Millôr Fernandes
"Não seja pessimista! O Brasil tem grandes homens: os pósteros e os precedentes" Millôr Fernandes
- Uma imagem vale mais do que mil palavras "- Diga isto sem palavras." Millôr Fernandes
"A diferença entre o político e o ladrão é que um eu escolho, o outro me escolhe" Fábio Viltrakis - teleitor de Millôr Fernandes
- Uma imagem vale mais do que mil palavras "- Diga isto sem palavras." Millôr Fernandes
"A diferença entre o político e o ladrão é que um eu escolho, o outro me escolhe" Fábio Viltrakis - teleitor de Millôr Fernandes
Do meu ORIXÁ

Ilustração: Ogum por Carybé
OGUM
De Zeca Pagodinho e Joge Ben
Eu sou descendente zulu
Sou um soldado de ogum
Um devoto dessa imensa legião de Jorge
Eu sincretizado na fé
Sou carregado de axé
E protegido por um cavaleiro nobre
Sim vou à igreja festejar meu protetor
E agradecer por eu ser mais um vencedor
Nas lutas nas batalhas
Sim vou ao terreiro pra bater o meu tambor
Bato cabeça firmo ponto sim senhor
Eu canto pra ogum
Ogum
Um guerreiro valente que cuida da gente que sofre demais
Ogum
Ele vem de Aruanda ele vence demanda de gente que faz
Ogum
Cavaleiro do céu escudeiro fiel mensageiro da paz
Ogum
Ele nunca balança ele pega na lança ele mata o dragão
Ogum
É quem dá confiança pra uma criança virar um leão
Ogum
É um mar de esperança que traz bonança pro meu coração
Deus adiante paz e guia
Encomendo-me a Deus e a virgem Maria minha mãe ..
Os doze apóstolos meus irmãos
Andarei nesse dia nessa noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas armas de são Jorge
São Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Tenham mãos e não me peguem não me toquem
Tenham olhos e não me enxerguem
E nem mesmo o pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão
Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é da Capadócia.
Salve Jorge!
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Ana Rüsche e CBN
Rapidão:
Não era sem tempo, a Ana Rusche, uma das minhas poetas contemporâneas favoritas (ela e Andrea de Barros), criou uma espécie de anti-blog - Pirata de Aquário. Lá os posts são coletivos, e você pode modificá-los.
A CBN também está com uma campanha genial. Chama-se Adote um veredor. Você adota um dos 55 vereadores eleitos, e a partir de primeiro de janeiro toma conta deste. Eu, por minha parte, já adotei a minha, Mara Gabrilli. Motivo, apesar de vangloriada pela mídia, uns projetos recentes seus sao no mínimo esdrúxulos. P. ex. Título de cidadã paulistana à cantora Daniela Mercury. Crei um blog para deixar os leitores a par do trabalho da vereadora - Eu sei o que você fez no mandato passado. O link está ao lado na lista de links do blog.
E isto
Não era sem tempo, a Ana Rusche, uma das minhas poetas contemporâneas favoritas (ela e Andrea de Barros), criou uma espécie de anti-blog - Pirata de Aquário. Lá os posts são coletivos, e você pode modificá-los.
A CBN também está com uma campanha genial. Chama-se Adote um veredor. Você adota um dos 55 vereadores eleitos, e a partir de primeiro de janeiro toma conta deste. Eu, por minha parte, já adotei a minha, Mara Gabrilli. Motivo, apesar de vangloriada pela mídia, uns projetos recentes seus sao no mínimo esdrúxulos. P. ex. Título de cidadã paulistana à cantora Daniela Mercury. Crei um blog para deixar os leitores a par do trabalho da vereadora - Eu sei o que você fez no mandato passado. O link está ao lado na lista de links do blog.
E isto
sábado, 4 de outubro de 2008
Axioma
É triste concordar com Balzac mas tenho que admitir: o crítico é movido sobretudo pela própria ausência de talento.
Assinar:
Postagens (Atom)