terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pedro Amorós

Resenha belíssima sobre meu  livro não publicado "Estamos Todos Bem" feita pelo escritor espanhol Pedro Amorós Juan, autor de Bajo el arco en ruina* (Valencia, Nuevos Autores) e Beatriz Cenci, una historia romana (Madrid, Ediciones Irreverentes). Conheci recentemente o trabalho do escritor e já posso me considerar sua fã. Ter uma resenha assinada por ele é uma honra! Convido a todos a lerem o texto: http://pedroamoros.blogspot.com/ 


*sem exagero, um dos melhores livros que li neste ano (detalhe: neste ano li Balzac, Joseph Roth, João do Rio, Nelson Rodrigues, etc, preciso dizer mais?)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desidéria - Morávia

Estava relendo Desidéria para minha Tese, como adoro esse livro! Ele já me inspirou tanto. Não por acaso a Clara do meu Estamos todos bem também passara a ser comandada por vozes (com a diferença que a personagem de Desidéria seguia apenas uma voz):

"Aquelas vozes eram suas companheiras naquela tarde abafada e poeirenta de sábado. O murmúrio latido daquelas vozes cada vez mais nítidas transmitia até certo alento para a tristeza ridícula de Clara. Era como se o eco daquelas ondas sonoras a transformasse em um ser humano melhor. O som redondo daquele ruído oco dignificava a solidão besta de Clara em um sábado à tarde. Clara não estava mais sozinha!
[...]
As vozes mantiveram-se ruidosas durante sua ausência
[...]
As vozes não a haviam abandonado [...]" - Estamos todos bem (2007)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

tempo em "m" e "s" ou em "s" "e" "m"

No canto superior direito do site Cronópios , ao lado do relógio, um poema (poema - exagero do Pipol) meu entre dois Chicos - Chico Lopes e Chico Pascoal. Coloca a mãozinha na seta, meu bem...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Jó e Santo Agostinho

Outra raspadinha (direto do twitter):

"Permiti, porém, que “eu, pó e cinza”, fale à vossa misericórdia."
Santo Agostinho

"Confundiste o meu nada; reduzido
A cinza e pó que sou, mereço a morte."
Livro de Jó

domingo, 18 de outubro de 2009

Joni Mitchell e seu big yellow taxi

Hoje na Eldorado tocava o big yellow taxi da Joni Mitchell! Achava que essas coisas só aconteciam n'O Telefone sem fio:

Permiti, porém, que “eu, pó e cinza”, fale à vossa misericórdia. Sim deixai-me falar, já que à vossa misericórdia me dirijo, e não ao homem que de mim pode escarnecer

Santo Agostinho


“Essa música é você, tatá”, ele diz enquanto aumenta o volume do rádio e eu, de riso forçado, quase esqueço que um dia já gostei de Joni Mitchell e do seu big yellow taxi. Pouco ouço a voz desafinada de Carlos sobre o som alto. Procuro-me no espelho retrovisor do carro. Ou quem sabe alguém ali que me reconheça em meu sorriso filhodaputa e meus olhos vesgos.

Hey, farmer, farmer, put away that D.D.T., now!
Give me spots on my apples
But leave me the birds and the bees, please!


“você ainda gosta disso?”, pergunto distraída ante uma imagem que ainda é minha. Ele não responde, apenas me olha triste e decepcionado por não me salvar. Continuo a me buscar no reflexo do meu rosto, o qual após muito choro seco me encara despreparado e cínico. Em que me transformei?

Late last night I heard the screen door slam.
And a big yellow taxi took away my old man.


Carlos desliza suas mãos grandes sobre o volante. Desligo o rádio. Não sou sempre assim. Particularmente hoje guardo em mim uma porção horrorizada e desconfortável de mim mesma. Se soubesse que algum dia teria que passar por isso, talvez terminasse tudo antes. Agora, cá estou, despreparada e cínica ante minha imagem e meu riso filhadaputa. Não quero pensar, desabafar silenciosa isso de inexato que me acaba, explicar o que tenho de horror em meus dedos. Mas pretendo narrar de alguma forma o que sou, rabiscar meu passado com minha mão esquerda no intento de compreender a razão do meu choro seco.

Uma caneta bic, por favor, e pode ficar com o troco, caro leitor;

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Uma ação que vale mais do que 2683 caracteres

Aproveito para publicar no meu blog o comentário de meu marido que não foi publicado no Blog do Hélio de La Peña sobre Danilo Gentili, sua piadinha infeliz e sua explicação mais infeliz ainda sobre a piada (caso citado pela revista Fórum durante entrevista com Kabengele Munanga - dica da Ana Rüsche)
. Aliás, é de se pensar porque Hélio de La Peña não publicou seu comentário:

"O preconceito não está nos olhos de quem vê e sim nas palavras, as palavras não são vistas são compreendidas,o não entendimento é inabilidade para com a lingua, incapacidade intelectual , ou demência.O discurso de justificativa e ou explicação do Danilo Gentili tem a vaga e descabida tentativa de legitimar a normalidade de chamar negros de macacos.Palavra é coisa séria.É necessário responsabilidade para com a palavra,muitos desapareceram, ou se imortalizaram por ela, é necessário respeito pela história (que por sinal nos concedeu grandes privilégios como 400 anos escravidão, (nosso trabalho não foi remunerado durante um breve espaço de tempo...) miséria,abandono,indiferença, sub emprego,cotas..enfim.como podem ver no quesito concessões estamos bem também.Não queremos o que nos é dado, queremos sim o que nos foi tirado.Respeito é um dos quesitos.Esse tipo de identidade e de relacionamento não precisamos. Deixo de respeitar o Danilo Gentili , sua produção artística já não me interessa mais.Imagino que se os 65% da população (considerada como macacos) deixar de assistir ao CQC será também um grande Mico."

P.S.: em um dos comentarios, alguem afirmara que o preconceito estava nos olhos de quem via

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Clarice Lispector, eu e os outros

Outra raspadinha (ou será plágio?): sempre que posso, pesquiso na internet publicações ou trabalhos relacionados à Clarice Lispector jornalista. Todos que leem este blog, e que por conseguinte me conhecem, sabem que estudo há mais de cinco anos as entrevistas realizadas por Clarice Lispector para as revistas Manchete e Fatos e Fotos. Hoje, descobri o artigo: "Diálogos possíveis com Clarice Lispector: um estudo do gênero entrevista na Revista Manchete", realizado por Michelle Moreira Braz dos Santos sob orientação de Marcelo Magalhães Bulhões para o XIV Congresso de ciências da Comunicação na região sudeste - Rio de Janeiro - 7 a 9 de maio de 2009. Já o título me chamou a atenção por ser muito semelhante ao da minha dissertação de mestrado: "Diálogos possíveis com Clarice Lispector: as entrevistas de uma escritora jornalista". Claro, a considerar que "Diálogos possíveis com Clarice Lispector" era o nome da coluna assinada pela escritora na Revista Manchete, a coincidência é também possível. Porém ao ler o texto notei incríveis semelhanças com minha dissertação, desde a fundamentação teórica até mesmo à construção de parágrafos inteiros. Comparo aqui uma passagem da minha dissertação a uma passagem do artigo para provar que ainda não enlouqueci:


"Em resposta à jornalista Isa Cambará, da revista Veja, sobre a necessidade de se publicar De Corpo Inteiro , uma coletânea com algumas de suas entrevistas realizadas para a revista Manchete, Clarice Lispector revela:

'Eu me expus nessas entrevistas e consegui assim captar a confiança de meus entrevistados a ponto de eles próprios se exporem. As entrevistas são interessantes porque revelam o inesperado das personalidades entrevistadas. Há muita conversa e não as clássicas perguntas.'"
[...] minha dissertação


"Em resposta à jornalista Isa Cambará, da revista Veja, sobre o motivo de publicar De Corpo Inteiro , livro que reúne entrevistas da revista Manchete, Clarice Lispector revelou:

'Eu me expus nessas entrevistas e consegui assim captar a confiança de meus entrevistados a ponto de eles próprios se exporem. As entrevistas são interessantes porque revelam o inesperado das personalidades entrevistadas. Há muita conversa e não as clássicas perguntas.' " [...](artigo)


Detalhe: minha dissertação sequer está na bibliografia do trabalho. Deixei os links no texto, para quem quiser comparar um com outro (sobretudo com o início de minha dissertação)
Provocação: raspadinha ou Ctrl C + Ctrl V?