[...]
Clara precisava mostrar-se bem como vingança. O rancor ritmava seu “estou muito bem”,
— Mas, estou muito bem, Cris. Muito bem. — reforçou, com ira e muita dor.
[...]
ESTAMOS TODOS BEM - fevereiro de 2007 com uma pequena edição do texto...
[do gr. palímpsestos, 'raspado novamente', pelo lat. palimpsestu.]. S.m. 1. Antigo material de escrita, principalmente o pergaminho, usado, em razão de sua escassez ou alto preço, duas ou três vezes[duplo palimpsesto], mediante raspagem do texto anterior
"Querida, você tem um coração na garganta"
Minha avó
domingo, 1 de agosto de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
ENTREVISTA
Outra raspadinha - Esta raspadinha é curiosa porque dois autores díspares narram duas histórias em gêneros literários distintos, o primeiro, um romance, o segundo, um conto, mas ambos lançam mão do diálogo na estrutura do texto. Aliás, na introdução do Desidéria, Moravia escreve:
"Este romance é uma entrevista que o personagem indicado com o nome de "Desidéria" concedeu ao autor, indicado com o pronome "Eu", durante os sete anos em que o livro foi escrito."
E o título do conto do Rubem Fonseca é .... Entrevista!
Eis o início das duas histórias:
Desidéria: O meu nome é Desidéria. E ouvi uma Voz.
Eu: Uma voz? Que Voz?
Desidéria: Responderei com o trecho de um livro.
Eu: Que livro?
Desidéria: A vida de Joana d'Arc. Ela também ouvia uma Voz [...]
MORAVIA, Alberto. Desideria; tradução de Márcia Quarti Lamarão e Tizziana Giorgini - Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984. p.09
M - Dona Gisa me mandou aqui. Posso entrar?
H - Entre e fecha a porta.
M - Está escuro aqui dentro. Onde é que acende a luz?
H - Deixa assim mesmo.
[...]
FONSECA, Rubem. Entrevista. Contos Reunidos. Organização: Bóris Schnaiderman. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 444
"Este romance é uma entrevista que o personagem indicado com o nome de "Desidéria" concedeu ao autor, indicado com o pronome "Eu", durante os sete anos em que o livro foi escrito."
E o título do conto do Rubem Fonseca é .... Entrevista!
Eis o início das duas histórias:
Desidéria: O meu nome é Desidéria. E ouvi uma Voz.
Eu: Uma voz? Que Voz?
Desidéria: Responderei com o trecho de um livro.
Eu: Que livro?
Desidéria: A vida de Joana d'Arc. Ela também ouvia uma Voz [...]
MORAVIA, Alberto. Desideria; tradução de Márcia Quarti Lamarão e Tizziana Giorgini - Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984. p.09
M - Dona Gisa me mandou aqui. Posso entrar?
H - Entre e fecha a porta.
M - Está escuro aqui dentro. Onde é que acende a luz?
H - Deixa assim mesmo.
[...]
FONSECA, Rubem. Entrevista. Contos Reunidos. Organização: Bóris Schnaiderman. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 444
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Revista Zunái, edição XX
Estou entre os onze novos narradores apresentados pelo escritor Marcelino Freire, com o conto As caixas de papelão da família A. Almeida. Leia aqui
A propósito, a XX edição da revista Zunái está incrível:
A propósito, a XX edição da revista Zunái está incrível:
- Flores de cerejeira: breves considerações sobre o haicai no Brasil, de Gustavo Felicíssimo.
- Luigi Russolo e a arte dos ruídos: uma introdução à música futurista, de Sérgio Medeiros.
- Cartas de Luanda: O dinheiro nas marcas simbólicas da água, de Abreu Paxe.
- “Uma poesia solar: aquela que dialoga com o mistério da semente.” Uma conversa com o poeta angolano João Maimona.
- Galeria: exposição virtual de Francisco Faria.
- Depoimentos e Debates: É possível mudar o cânone literário?
- Alguns contos: onze novos narradores, apresentados por Marcelino Freire.
- Poemas de Wilson Bueno, Horácio Costa, Virna Teixeira, Micheliny Verunschk, Yao Feng, Fernanda Dias.
- Traduções de Joyce Mansour (Inglaterra), Malcolm de Chazal (Ilhas Maurício), Norma Cole (EUA), Edmond Jabès (Egito), Adonis (Líbano), Shu Wang (Macau), Sohrab Sepehri (Irã).
Zunái, Revista de Poesia & Debates: www.revistazunai.com.
Preço: Inefável; inconcebível.
Onde encontrar: no ciberespaço, essa “Gran Cualquierparte” (Vallejo).
Extraído do blog da Zunái
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Capitu em Moscou
Minha grande amiga, poeta, pesquisadora, e pessoa incrível, Andrea de Barros, criou um site bem bacana sobre a estada dela em Moscou. O site é atualizado todos os dias com suas experiências como doutoranda bolsista e como estrangeira em um lugar tão distante. Suas palavras sobre o site: "encontrar Machado de Assis na Rússia é minha proposta em Moscou, nos próximos seis meses. O roteiro, as impressões e os desafios dessa busca, vou deixando por aqui, esperando pistas e comentários de quem quiser me acompanhar."
Vale a pena conferir. Clique aqui
Vale a pena conferir. Clique aqui
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Anuncie aqui
Aproveito que o blog agora tem novos seguidores - um dia chega aos cinco leitores - e renovo meu convite do dia 28 de janeiro de 2009:
Não sei se alguém reparou, mas o Palimpsesto agora tem publicidade. Quem quiser "anunciar" no blog, basta criar um "anúncio" com no máximo 300 caracteres além de um título curto e enviá-lo para o e-mail: verossi@uol.com.br. Somente serão publicados anúncios nonsense. O "anúncio" será linkado ao blog do seu "anunciante". Aceitamos muita criatividade como forma de pagamento.
Alguém se habilita? Caso contrário, os anúncios continuarão os mesmos, escritos por mim, apenas (auau), há mais de um ano!
Não sei se alguém reparou, mas o Palimpsesto agora tem publicidade. Quem quiser "anunciar" no blog, basta criar um "anúncio" com no máximo 300 caracteres além de um título curto e enviá-lo para o e-mail: verossi@uol.com.br. Somente serão publicados anúncios nonsense. O "anúncio" será linkado ao blog do seu "anunciante". Aceitamos muita criatividade como forma de pagamento.
Alguém se habilita? Caso contrário, os anúncios continuarão os mesmos, escritos por mim, apenas (auau), há mais de um ano!
Diálogos
Os diálogos sempre me intrigaram (do Livro de Jó às crônicas do Luís Fernando Veríssimo) Admiro aqueles que os dominam. Aliás, sempre acreditei que uma personagem, e, por conseguinte, o texto, ganha muito mais cores quando passa a ser delineada por suas falas em vez de descrita em longos parágrafos, na maioria, maçantes e limitantes (até rimou). Certamente os diálogos erigem o almejado texto polifônico.
Por outro lado, tanto em Estamos todos bem quanto em Telefone sem fio, minhas personagens são descritas não muito pelo que dizem, mas, sobretudo, pelo que não conseguem dizer, aquela frase presa na garganta, no caso de Estamos todos bem, ou aquele sarcasmo diluído em um suspiro arrastado, no caso de Telefone sem fio. Meus diálogos são costurados e remendados pelo silêncio, este sim, sua causa secreta.
Por outro lado, tanto em Estamos todos bem quanto em Telefone sem fio, minhas personagens são descritas não muito pelo que dizem, mas, sobretudo, pelo que não conseguem dizer, aquela frase presa na garganta, no caso de Estamos todos bem, ou aquele sarcasmo diluído em um suspiro arrastado, no caso de Telefone sem fio. Meus diálogos são costurados e remendados pelo silêncio, este sim, sua causa secreta.
Homem Comum
"Eram apenas ossos, ossos dentro de uma caixa, mas os ossos deles eram dele, e ele aproximou-se dos ossos o máximo que pôde, como se a proximidade pudesse estabelecer um vínculo com eles e atenuar o isolamento causado pela perda do futuro e religá-lo a tudo o que havia ido embora. (..) Os ossos eram o único consolo que restava para alguém que não acreditava na vida após a morte e sabia, sem nenhuma dúvida, que Deus era uma ficção, e que aquela vida era a única que ele teria."
Philip Roth (para quem, no final, não serão apenas ossos) - Homem Comum; tradução: Paulo Henrique Britto - São Paulo: Companhia das Letras, 2007
Um dos melhores escritores contemporâneos.
Por falar em escritores contemporâneos, aviso aos navegantes à vela, a literatura segue viva, vivíssima: Cronópios, o melhor site de literatura do Brasil
Philip Roth (para quem, no final, não serão apenas ossos) - Homem Comum; tradução: Paulo Henrique Britto - São Paulo: Companhia das Letras, 2007
Um dos melhores escritores contemporâneos.
Por falar em escritores contemporâneos, aviso aos navegantes à vela, a literatura segue viva, vivíssima: Cronópios, o melhor site de literatura do Brasil
terça-feira, 30 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Teatro 1 1/2
O grupo Teatro Para Alguém em parceria com o Cronopios, criou o projeto Teatro 1 1/2. O projeto tem como objetivo apresentar em apenas um minuto e meio textos adaptados e encenados via Web. Os textos estão sendo selecionados entre os dos autores cronopianos. A primeira peça apresentada ao vivo dia 12 de março você confere aqui. Vale a pena, belo texto do William Lial e interpretação incrível de Eduardo Waddington. Na próxima sexta será encenado o texto de Andréa del Fuego, Um milhão de vezes. No dia 26 um texto meu: A sete palmos, que na realidade é um trecho do meu livro Telefone sem fio (pra quem me lê aqui, sabe de que livro se trata!). E no dia 9 de abril (a data está errada no Cronópios), será a vez de Silas Corrêa Leite, que terá o texto A Nave encenado. Mais informações aqui
Assinar:
Postagens (Atom)
