"Querida, você tem um coração na garganta"
Minha avó

domingo, 5 de julho de 2009

Conto a quatro mãos




O conto iniciado por mim e continuado por Débora (responsável também pelo título) agora nas Narrativas do Espólio. Pra quem não se lembra, é esse aqui

Estava me sentindo bem naquela manhã. Uma espécie de alegria sincrônica, um rombo no peito simultâneo ao que me dessem como garantia de vida naquela manhã. Certa música que ouvisse antes de ligar o rádio, de fato. Uma frase dita, antes que alguém pensasse em abrir a boca. Uma ligação importante concomitante (odeio esta palavra!) ao meu desejo de ser importante. “Não pode ser tão perfeito!”, pensei. Não estava acostumada com qualquer felicidade isenta de esforço. Sempre desconfio da alegria espontânea.

Tranquei meu quarto, já inclinada à bondade. Aproveitei meu café da manhã com a boca mais doce, receptiva, distraída ante uma felicidade por se roubar. Mastiguei macio o pão amanhecido, mergulhado no café frio. Rumo à loja onde trabalho, larguei-me no confortável movimento de minhas pernas. Que sensação, por Deus!

Os rostos cansados bocejavam duvidosos, qualquer esboço de felicidade era incompatível com um metrô abarrotado de desilusão. Encaravam-me solitários e céticos. Estiquei meu sorriso, como uma afronta.[...]

4 comentários:

3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Oi Ve,

Adorei o conto! Minha defesa deve ser no final de agosto, te aviso quando souber a data.

Isso mesmo, depois do dia 20 a gente se encontra. Finalmente!!!!

Beijão,

Bela - La Divorciada

Vera Helena disse...

Que legal, Bela! Pode ter certeza que estarei lá torcendo por você (aliás, já estou!)

Beijos

Ana Maria disse...

amei!!! lindo!!!! bj

Vera Helena disse...

Obrigada! Você que é linda!!

Beijos