"Querida, você tem um coração na garganta"
Minha avó

quarta-feira, 11 de julho de 2007

AULA - BARTHES

Mas a língua, como desempenho de toda linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer. Ao passo que na literatura a língua é desviada e, conseqüentemente, se é permitido ouvir a língua fora do poder, no esplendor de uma revolução permanente da linguagem.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Desculpem-nos pelo transtorno

Fui para Pasárgada. Volto, quem sabe, dia 10/07.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

PELA FLAP!

Mais especificamente pelo Bactéria, descobri um livro que me tirou o fôlego: Dona Estultícia de Gabriela Kimura.

PÓS FLAP!

Deixei o Satyros I, no domingo, com uma certeza: é necessário um diálogo urgente entre a academia e os escritores. Já está ultrapassado o velho discurso "ainda existe literatura?", claro que existe, a questão não é essa. O problema é outro, bem mais sério. A academia (salvo raras exceções) torce o nariz para aqueles que ainda não foram laureados com algum Jabuti da vida, ou que não receberam o aval da fortuna crítica (em outras palavras, que não estão mortos), e muitos escritores bons, que poderiam despertar o prazer pela leitura nos vários "não leitores", são desprezados.
Há que se considerar que dos professores engendrados pela academia, muitos correm o risco de queimar os livros a 451ºF em sala de aula ao apresentar clássicos, com o peso que a palavra "clássicos" carrega, por suas escolas demarcadadas por datas (romantismo, realismo, etc), para adolescentes que preferem o que a literatura oferece em sua essência: a transgressão.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Manias Parte III

Uma parte inexata de mim insiste no sofrimento.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

TANIZAKI

Outra raspadinha: Para quem gostou de "O sol se põe em São Paulo" de Bernardo Carvalho, uma sugestão de leitura, no mínimo, interessante: Junishiro Tanizaki. Acho incrível que críticos, ao avaliarem o livro do escritor brasileiro sequer citem, ao menos, a obra Voragem do escritor japonês, em que também há um triângulo amoroso, narrado por uma voz que se confunde entre as personagens (persona, neste caso, é mascara!) e as cartas amorosas.

A razão de minha loucura

"A tecnologia ameaça a humanidade do homem, mas não alcança à loucura, e nesta, a humanidade do homem se refugia." Clarice Lispector

FLAP!

Só para lembrar: nesse final de semana teremos FLAP. Entre os escritores e poetas convidados, destaco: Marcelino Freire, Glauco Mattoso, Andréa Del Fuego, Santiago Nazarian e Lourenço Mutarelli. O link do evento está ao lado.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Manias Parte II

Gosto de letras miúdas e sutilmente inclinadas. Havia uma época em que procurava imaginar como era a letra das pessoas. Buscava a perfeição pela caligrafia dos desconhecidos. Era interessante imaginar os destros e os canhotos, as formas de suas palavras definidas pela ponta do lápis. Discretamente, observava os hábeis, que seguravam a caneta com firmeza, definiam com precisão o que escreviam, a quase atingirem o sublime com a mão direita. Provavelmente, o porquê de minha obsessão residia no fato de ser canhota e ter uma letra horrível, a sempre manchar minha mão esquerda trêmula e o papel rasurado com tinta. Parei com a mania de imaginar a caligrafia dos transeuntes quando meus garranchos encontraram guarida nas fontes Arial e Times New Roman.

Manias Parte I


Tenho uma mania um tanto, diria, bizarra. Gosto de sacos plásticos. Coloridos, em formas diversas, a carregarem pedaços da vida, comprada em liquidação no mercado da esquina. É só me aproximar do caixa, e eles estão ali, gratuitos, prontos a conduzirem fragmentos utilitários do cotidiano até minha casa.
Qual minha alegria ao empacotar minhas compras, é como se também embrulhasse pedacinhos de mim mesma, mantendo-os hermeticamente fechados até que se desamarre o nó. O barulho, ah, aquele barulinho oco que se faz quando as compras são embaladas. E minha voz, que se revela melada com a frase: "Você tem mais saquinho?"